Todo orçamento incremental parte de uma premissa silenciosa: o ano que vem será uma extensão do que passou.
Em 2027, essa premissa não vale. O histórico deixa de servir de referência justamente nas linhas que mais pesam no resultado.
Quatro alertas para a elaboração do orçamento do próximo exercício:
- O capital continua caro. Juro alto por mais tempo muda o critério de toda decisão. Expansão, estoque e prazo concedido ao cliente consomem capital. O orçamento que não mede o capital de cada linha aprova crescimento que destrói valor.
- IA não é despesa de TI. A pressão para investir chegou aos conselhos, mas a maioria das empresas orça licenças e pilotos sem tese de retorno. IA sem dono do resultado custa duas vezes: a tecnologia e a estrutura que continua lá.
- O consumidor mudou. Mais endividado e mais seletivo, ele compra com mais critério e troca de marca com mais facilidade. Premissas de volume e mix copiadas do ano anterior tendem a superestimar a receita, e receita superestimada sustenta custo superdimensionado.
- A reforma tributária começa em janeiro. A CBS substitui PIS e Cofins, e o orçamento será aprovado sem a alíquota definida. Cadastro de produtos, formação de preço, crédito e contratos precisam ser refeitos, e não apenas corrigidos.
Nenhum desses efeitos aparece num orçamento incremental. Eles só aparecem quando cada linha precisa se justificar de novo, do zero, com as perguntas certas.
Na Altoris, tratamos o orçamento de 2027 como um dos mais complexos dos últimos exercícios. As premissas precisam ser testadas, cada linha precisa ser justificada e o capital precisa estar no centro, como critério principal de decisão.
O orçamento não é uma peça contábil. É a primeira decisão de alocação de capital do ano.
Esta é a agenda que temos levado a conselhos, acionistas e diretorias neste fechamento de exercício.
O que não for revisado agora será herdado em janeiro.
Premissas testadas. Linhas justificadas. Capital no centro.
O orçamento é a primeira decisão de capital do ano.
