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Geração de valor

O castelo de areia das empresas brasileiras

Uma tempestade silenciosa se aproxima

AutorIsmael Santos
PublicaçãoNovembro de 2025
Leitura2 min
Publicado originalmenteLinkedIn

As empresas brasileiras vivem hoje sobre um castelo de areia financeiro construído ao longo de anos de juros altos, margens apertadas e uma transformação profunda no sistema de crédito.

Endividadas e com resultados fracos, muitas foram expulsas do sistema bancário tradicional e migraram para fundos, FIDCs, factoring e outras modalidades de financiamento — alternativas mais rápidas, porém muito mais caras.

Se o crédito bancário já custa, em média, 23% a 25% ao ano, as operações alternativas adicionam mais 5%, em média. Isso sufoca o fluxo de caixa, impede investimento e empurra empresas para um ciclo de dependência crescente, no qual cada rodada de financiamento apenas prolonga o problema. A qualidade do endividamento piorou, e não há oxigênio para o curto prazo.

Ao mesmo tempo, o ambiente de recuperação judicial se mostra cada vez mais amador. Planos mal construídos, renegociações superficiais e pouca atenção à resiliência do negócio resultam em soluções incompletas.

No Brasil, RJ ainda se resume a renegociar dívidas, não a reestruturar empresas. Isso gera um ciclo de quebras repetidas, perda de valor e queima de capital.

Em 2026, o país deve enfrentar uma nova onda de RJs e falências, com deságios agressivos e impactos diretos sobre credores. O risco de contaminação do setor produtivo para o setor financeiro cresce rapidamente — especialmente porque os fundos hoje sustentam uma fatia relevante das operações de crédito.

O fator mais perigoso, e ainda pouco percebido, é simples: quando os fundos começarem a perder capital e travarem novas operações, muitas empresas simplesmente vão parar.

Sem capital de giro, sem rolagem de dívida e com margens comprimidas, milhares de companhias podem entrar em colapso quase simultâneo. O risco sistêmico é real — e silencioso.

O castelo de areia está de pé, mas cada onda do mercado leva um pouco de sua base.

A questão já não é se haverá ruptura. A questão é quando.