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Estudo técnico · Inteligência econômica

Carga tributária recorde e a pressão sobre a geração de valor

Como a maior carga tributária da história, somada ao Custo Brasil e ao elevado custo de capital, redefine os critérios de sucesso empresarial.

AutoresIsmael SantosErik Figueiredo
PublicaçãoAbril de 2026
Leitura4 min
Edição originalPDF, 4 páginas
Capa do estudo Carga tributária recorde e a pressão sobre a geração de valor

Cenário Fiscal Brasileiro

O Brasil atingiu, em 2025, a maior carga tributária de sua história: 32,4% do PIB. Em termos práticos, isso significa que, a cada R$ 1 produzido na economia, aproximadamente R$ 0,33 são direcionados aos cofres públicos.

Essa carga é composta por tributos federais (21,6% do PIB), estaduais (8,4%) e municipais (2,4%) — o que evidencia não apenas sua magnitude, mas também sua capilaridade sobre toda a atividade econômica.

Carga tributária do governo geral — por nível de governo · % do PIB · 2022 e 2025 (total: 31,2% em 2022; 32,4% em 2025)

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional · Receita Federal do Brasil

Mais relevante do que o nível atual é a sua trajetória. Em 2022, a carga tributária era de 31,24% do PIB. Em apenas três anos, houve um aumento de 1,16 ponto percentual, impulsionado quase integralmente pela elevação dos tributos federais.

Decomposição da Arrecadação

Ao decompor a arrecadação, observa-se uma expansão consistente em todas as categorias, com destaque para duas frentes centrais:

(I)

Impostos sobre renda, lucros e capital

Saltaram de R$ 909 bilhões em 2022 para R$ 1,2 trilhão em 2025.

(II)

Tributos sobre bens e serviços

Evoluíram de R$ 1,3 trilhão para R$ 1,8 trilhão no mesmo período.

Detalhamento · Carga tributária bruta total — composição por categoria · R$ milhões e % do PIB
Carga Tributária Bruta TotalR$ Milhões% do PIB
2022202520222025
Governo Geral3.148.7494.127.23231,24%32,40%
Impostos2.487.1253.270.94024,67%25,68%
Impostos sobre renda, lucros e ganhos de capital909.0491.166.5589,02%9,16%
Impostos sobre a folha de pagamento e a mão de obra29.78839.0580,30%0,31%
Impostos sobre a propriedade159.965220.0471,59%1,73%
Impostos sobre bens e serviços1.329.2891.755.05613,19%13,78%
Impostos sobre o comércio e transações internacionais59.03490.2220,59%0,71%
Outros impostos000,00%0,00%
Contribuições sociais661.624856.2926,56%6,72%
Contribuições para o RGPS518.970687.4165,15%5,40%
Contribuições para o RPPS122.632143.8231,22%1,13%
Contribuição para o PASEP20.02225.0530,20%0,20%
Itens de Memorando
Pagamentos compulsórios não tributários183.571248.3881,82%1,95%
Contribuições para o Sistema S27.27336.7230,27%0,29%
Contribuições para o FGTS156.298211.6661,55%1,66%

Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional · Carga Tributária Bruta do Governo Geral

Não se trata, portanto, de um fenômeno pontual, mas de um movimento estrutural de aumento da pressão tributária.

O Verdadeiro Impacto

A análise, contudo, não deve se encerrar no campo fiscal. Quando combinada com outros elementos estruturais — como o chamado "Custo Brasil", caracterizado por burocracia, ineficiência, limitações de infraestrutura e baixa previsibilidade institucional — e com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, essa elevação da carga tributária produz um efeito mais profundo: a deterioração das condições para o investimento produtivo.

Esse é o ponto central

O impacto não está apenas na redução de margens ou no aumento de custos operacionais. Ele se manifesta, sobretudo, na lógica de decisão empresarial.

Em um ambiente onde o custo de capital é estruturalmente elevado, o retorno mínimo exigido aumenta de forma significativa. Como consequência, projetos que aparentam ser economicamente viáveis sob uma ótica tradicional passam a operar em uma zona de destruição de valor quando analisados com maior rigor.

Considerações Finais

Diante desse cenário, a disciplina na alocação de capital deixa de ser uma escolha e passa a ser uma exigência estratégica. A capacidade de avaliar investimentos sob a ótica da geração de valor, precificar adequadamente os riscos e alinhar estratégia, execução e retorno econômico torna-se um diferencial competitivo relevante.

Avaliar

Investimentos sob a ótica da geração de valor econômico.

Precificar

Adequadamente os riscos do projeto e do ambiente.

Alinhar

Estratégia, execução e retorno econômico exigido.

Enquanto não houver uma mudança estrutural no ambiente econômico brasileiro, a vantagem não estará apenas na capacidade de crescer, mas na habilidade de crescer com eficiência econômica. Nesse contexto, crescer sem critério pode deixar de ser um sinal de expansão e passar a representar, na prática, uma forma mais sofisticada de destruição de valor.